a vida gotejando
o pingo grosso caindo no parapeito mergulhando noutro pingo e outro e outro. um marzinho nasce sobre o mármore frio e rígido do edifício. é difícil pausar o movimento livre e ritmado de um milagre. e nada é mais urgente do que assistir à dança indomável de uma poesia sobre o concreto desta cidade provisória. eu tinha outros planos para este dia, mas é aqui o mais perto de mim. até que o céu termine o trabalho, serei eu o sinal. a fortaleza que busco fotografar: a vida gotejando. eu o cinza, eu a queda. eu mergulhada. eu o mar, eu a casa. eu a câmera. eu o corpo que levanta, o corpo que anda. eu brisa, eu líquida. eu a pedra autografada pela água — eu chovendo no Ceará.



