tudo está pronto
acordar e curar a carne no sal da vida. que ela dure mais um dia. ativar meus músculos posturais cansados e sonolentos quatro séries doze repetições. continuar a leitura do livro sonhado mas que parece ter pedido a saborosa atração do vir-a-ser. filtro solar três dedos maquiagem e nenhum encontro marcado. cinco minutos para direcionar o pensamento ver o que acontece por dentro saber se estou bem ou se preciso me esforçar – respiro – e performar bem no primeiro silêncio. a aninha não chegará não está bem. mas o segundo café está espesso. tudo está pronto, estou disposta a me perder, mas só penso nesse amor que é interseção e atravessamento. o depois temido, apto a transpor planos e certezas – meu corpo movediço. esse amor, o grande depois desconhecido que é agora, do agora que é o mesmo antes reconhecido. o hálito resistente de tudo o que não caiu na boca do tempo: obstinado, belo, símbolo. penso nesse amor e danço ao som de cada parte de nós que não chega, não agora, não para mim. esse amor, a sequela de um pai sem fronteiras nascida para ordenhar dos finais os fôlegos, fragmentos, destinos de toda sorte. tudo está pronto. pequeno eu espesso ao ponto, disposto a se perder. mas eu só penso nesse amor que é rebentação e pausa. interseção e atravessamento. eu só penso na aninha.



Lindo